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Os mistérios da vida pública de Jesus

 

O primeiro mistério da vida pública de Jesus é o seu Batismo no rio Jordão por João Batista, pois ele marca justamente o início da vida pública de Nosso Senhor.

No início do Cristianismo enfatizava-se bastante o fato de Jesus ter recebido o Espírito Santo no momento do seu batismo. Até o surgimento da heresia conhecida como adopcionismo, cuja definição é a seguinte:

"Doutrina sobre a qual Cristo, em sua natureza humana, é considerado o Filho de Deus só por adoção. Essa doutrina compareceu várias vezes na história da Igreja. Foi ensinada por Teodoro, bispo de Mopsuéstia, por volta de 400; foi retomada no séc. VIII por alguns bispos espanhóis, combatida por Alcuíno e condenada pelo Concílio de Frankfurt de 794. Essa doutrina implicava a independência da natureza humana em relação a Deus e, daí, o dualismo entre natureza humana e natureza divina: dualismo inadmissível do ponto de vista da dogmática cristã." [01]

Assim, a heresia pregava a existência de um homem - Jesus - que foi adotado por Deus no dia de seu batismo. Deus teria tomado esse homem e passado a usá-lo. Este pensamento não é da fé católica e foi rechaçado primeiramente no Sínodo de Toledo, iniciado 7 de novembro de 675, na afirmação acerca do Filho na divina Trindade:

"Professamos também que o Filho é nascido da substância do Pai, sem início, antes dos séculos, porém não criado; pois nem o Pai existiu jamais sem o Filho, nem o Filho sem o Pai. E contudo, o Pai não é do Filho como o Filho do Pai, pois o Pai não recebeu a geração do Filho, mas o Filho do Pai, o Pai ao invés é Deus, mas não pelo Filho; ele é de fato Pai do Filho, não Deus pelo Filho; este, ao contrário, é Filho do Pai e Deus pelo Pai. Todavia, o Filho é igual em tudo a Deus Pai, já que o seu nascimento nem teve início e nem cessou num determinado momento." (DH 526)

O Papa Adriano I publicou a carta "Institutio universalis", aos bispos espanhóis, entre 785 e 791, na qual falou sobre o ‘erro dos adocionistas’:

"... Chegou até nós de vossa região a triste notícia de que alguns bispos que por lá vivem, a saber, Elipanto e Ascarico com os seus companheiros, não se envergonham de professar o Filho de Deus como adotivo, se bem que nenhum heresiarca tenha ainda ousado ladrar tal blasfêmia, exceto aquele pérfido Nestório, que professava o Filho de Deus como mero homem..." (DH 595)

Por fim, no Sínodo de Frankfurt, em junho de 794, houve a refutação formal da heresia adocionista:

"Encontramos escrito no início de vossa carta a vossa afirmação: ‘Professamos e cremos que Deus, Filho de Deus, foi gerado antes de todo o tempo, sem princípio, pelo Pai coeterno e consubstancial, não por adoção, mas por geração’. Igualmente se lê no mesmo escrito, um pouco adiante: ‘Professamos e cremos que ele, feito da mulher, feito sob a lei, não é Filho de Deus segundo a geração, mas por adoção, não por natureza mas por graça’. Eis a serpente que se esconde entre as árvores frutíferas do paraíso para enganar todos os incautos...

Também não encontramos dito na profissão de fé de Nicéia o que mais adiante acrescentastes, a saber, ‘em Cristo duas naturezas e três substâncias’, ‘homem deífico’ e ‘Deus humana’. O que é a natureza do homem, senão alma e corpo? Ou então, que diferença há entre ‘natureza’ e ‘substância’, de modo que devamos falar de três substâncias e não antes, simplesmente, como já disseram os Santos Padres, professar nosso Senhor Jesus Cristo como verdadeiro Deus e verdadeiro homem em uma só pessoa?

Mas a pessoa do Filho permaneceu na santa Trindade; a esta pessoa se ajuntou a natureza humana, de modo que é uma só pessoa, Deus e homem, não homem deífico e Deus humanado, mas Deus homem e homem Deus, por causa da unidade da pessoa um só Filho de Deus, e o mesmo, Filho do homem, perfeito Deus, perfeito homem.

O homem é perfeito só com a alma e o corpo...; também nós não negamos que em Cristo haja verdadeiramente estes três, a saber, a divindade, a alma e o corpo. Mas já que verdadeiramente é chamado Deus e homem, no nome ‘Deus’ é designado tudo o que é de Deus, no nome ‘homem’ ao invés é entendido tudo que é do homem. Portanto, é suficiente pensar nele uma, a perfeita substância da divindade, e outra, a perfeita substância da humanidade... O costume eclesiástico sói nomear em Cristo duas substâncias, isto é a, de Deus e a do homem. …

Se, portanto, é verdadeiro Deus aquele nasceu da Virgem, como pode ser adotivo ou servo? Com efeito, não ousais absolutamente designar Deus como servo ou adotivo; e mesmo se o profeta o chamou servo, não foi todavia por causa da condição de servidão, mas por causa da obediência da humildade, pela qual ele se fez ‘obediente’ ao Pai ‘até à morte’." (DH 612-614)

Jesus é o Cristo desde sempre, mas é possível considerar que existem diferentes unções de Cristo que, por sua vez, são diferentes das unções derramadas sobre os homens. O Espírito Santo é derramado sobre o homem, contudo, em Jesus ele permanece. Trata-se do mistério da união hipostática, ou seja, a humanidade de Jesus está unida à pessoa do Filho Eterno que, por sua vez, é eternamente ungido pelo Espírito do Pai.

Ao mesmo tempo, é preciso levar a sério o dado bíblico. O Evangelho de São Lucas narra a anunciação do anjo à Maria e a concepção de Jesus pelo poder do Espírito Santo, isto é uma atestação da unção de Jesus desde o princípio. Os mesmos Evangelhos falam que Jesus crescia em sabedoria e graça, e no seu relacionamento com Deus. Quando Jesus assume a pequenez humana, assume também a realidade de receber de Deus a unção, da mesma forma que os humanos fazem. Trata-se de uma realidade bastante difícil de compreender, pois são os mistérios de Deus. A unção de Jesus guarda uma analogia com a unção dos homens.

No batismo, Jesus inaugura a sua missão, com o Pai que manifestando o seu amor por ele. Esta manifestação e unção de Cristo é mais para os homens do que para ele próprio. E esse fato mostra ainda que Jesus é o Filho amado, mas também é o servo sofredor. Não é somente o Messias, mas também a figura misteriosa do servo sofredor presente no Antigo Testamento.

Os Santos Padres interpretam o batismo de Jesus como sendo mais para os homens do que para Jesus. É como se a abundância da unção que estava na cabeça (Jesus) descesse para todo os membros do corpo (cada homem).

O segundo mistério da vida pública pública de Jesus é a sua tentação. Todos os anos, no início da Quaresma esse mistério é meditado. Jesus foi tentado por causa dos homens e venceu.

O homem, por mais próximo que esteja da santidade, não é capaz de evitar a tentação. Nem Jesus evitou a tentação. Maria Santíssima também foi tentada. A tentação é inerente à condição humana por uma permissão misteriosa de Deus.

A tentação não acontece somente pela concupiscência humana. Jesus e Maria foram tentados e não possuíam o pecado original, portanto, não tinham concupiscência. A tentação acontece também por causa do Tentador.

Diz o Catecismo que Jesus "rechaça esses ataques que recapitulam as tentações de Adão no Paraíso, e de Israel no deserto, e o Diabo afasta-se dele até o tempo oportuno" (590). E mais, que "Cristo se revela como Servo de Deus totalmente obediente à vontade divina. Nisso Jesus é vencedor do Diabo: ele ‘amarrou o homem forte’ para retomar-lhe a presa. A vitória de Jesus sobre o tentados no deserto antecipa a vitória da Paixão, obediência suprema de seu amor filial ao Pai". (539)

Na tentação, Jesus quebra a lógica humana daquilo que se esperava de um Messias, ou seja, que seria um Messias político, que viria para instaurar o reino de Deus aqui na Terra. E quebra também tantas ideologias ainda hoje existentes que pregam o messianismo, podendo citar especificamente a Teologia da Libertação. Jesus não veio trazer um mundo melhor, veio trazer Deus.

O terceiro mistério da vida pública de Jesus é a pregação do Evangelho. O Catecismo diz de forma clara que o Reino de Deus em germe é a Igreja. No entanto, Jesus é o próprio reino, assim, a Igreja - enquanto Corpo de Cristo - é o reino de Deus. A Igreja militante aqui na Terra é o germe do reino. A Igreja triunfante que está no céu é o próprio reino de Deus.

Em seguida, o quarto mistério fala sobre o anúncio do Reino de Deus, dizendo que Jesus fala a todos os homens, contudo, existem algumas classes de homens nas quais esse anúncio é mais explícito. Jesus ama preferencialmente os pequenos e os pobres. Ele se compadece da miséria física, material dos homens, contudo, ele se compadece muito mais pela miséria espiritual da humanidade. Outra classe que Jesus se empenha em atingir é a dos pecadores, desejando tanto tirá-los dessa condição que se sacrificará na cruz e dará a sua vida por eles.

Na sequência, o quinto mistério reflete sobre os sinais do reino de Deus, cujo maior exemplo pode ser a ‘derrota do reino de Satanás: [...]. Os exorcismos de Jesus libertam homens do domínio dos demônios. Antecipam a grande vitória de Jesus sobre o príncipe deste mundo. É pela Cruz de Cristo que o Reino de Deus será definitivamente estabelecido: regnavit a ligno Deus - Deus reinou do alto do madeiro." (550)

As chaves do Reino, é o próximo mistério. Jesus dá à sua Igreja o poder de ligar e desligar. O poder é dado à Igreja, mas de forma especial a São Pedro, o Papa. Diz o CIC: "Cristo, pedra viva, garante a sua Igreja construída sobre Pedro a vitória sobre as potências da morte. Pedro, em razão da fé por ele confessada, permanecerá como a rocha inabalável da Igreja. Terá por missão defender esta fé de todo desfalecimento e confirmar nela seus irmãos." (552)

O sétimo mistério é o da Transfiguração. Os três Evangelhos sinóticos falam sobre esse evento, portanto, embora seja realmente um mistério, deve ser levado muito a sério, não dando ouvidos aos teólogos modernos que ensinam que não tudo não passou de uma mistificação, uma invenção da primeira comunidade católica e que não houve, de fato, a transfiguração. Não, fiquemos com os Evangelhos.

Quando Jesus manifesta a sua glória na montanha o que está por trás é a manifestação da liberdade de Deus. Jesus livremente assumiu a forma de servo e se fez humilde, contudo, a qualquer momento Ele poderia deixar de ser vulnerável. O Catecismo ensina:

"No limiar da vida pública, o Batismo; no liminar da Páscoa, a Transfiguração. Pelo Batismo de Jesus ‘declaratum fruit mysterium primae regenerationis - foi manifestado o mistério da primeira regeneração’: o nosso Batismo; a Transfiguração ‘est sacramentum secundae regenerationis - é o sacramento da segunda regeneração’: a nossa própria ressurreição. Desde já participamos da Ressurreição do Senhor pelo Espírito Santo que age nos sacramentos do Corpo de Cristo, que transfigurará nosso corpo humilhado, conformando-o ao seu corpo glorioso. Mas ela nos lembra também que é preciso passar por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus." (556)

O oitavo mistério é a subida de Jesus a Jerusalém, indicando que está pronto para morrer. "Por três vezes tinha anunciado a sua Paixão e sua Ressurreição. [...] Jesus lembra o martírio dos profetas que tinham sido mortos em Jerusalém. Todavia, persiste em convidar Jerusalém a congregar-se em torno dele: [...]. Quando Jerusalém está à vista, chora sobre ela e exprime uma vez mais o desejo de seu coração: ‘Ah! Se neste dia também tu conhecesses a mensagem de paz! Agora, porém, isto está escondido a teus olhos". (557, 558)

Finalmente, o último mistério fala da entrada messiânica de Jesus em Jerusalém. Ela "manifesta a vinda do Reino que o Rei-Messias vai realizar pela Páscoa de sua Morte e de sua Ressurreição. É com celebração, no Domingo de Ramos, que a liturgia da Igreja abre a grande Semana Santa" (560).


Fonte da Notícia: Padre Paulo Ricardo - CIC Publicado: 26/10/2016
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